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terça-feira, 20 de maio de 2008

Glocal e Cibercultura - Ficha...

TRIVINHO, Eugênio: "Glocal e cibercultura: bunkerização da existência no imaginário mediático contemporâneo". In: _________. A democracia cibercultural. Lógica da vida humana na civilização mediática avançada. São Paulo: Paulus, 2007, p. 279-320.

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[...] “glocal” é neologismo resultante da hibridação cumulativa de dois termos, “global” e “local”.

Na nova via, global e local são um mesmo e, simultaneamente, nenhum; globalização (ou globalismo) e localização (ou localismo) restam dissolvidos.

[...] contexto glocal, lugar da existência humana tecnologicamente mediado e mercadologicamente promovido.

De todos os elementos conformativos do fenômeno glocal, esse (a mídia tecnológica capaz de tempo real – grifo meu) é o mais decisivo. Em sua ausência, do ponto de vista mediático, inexiste fenômeno glocal. Equipamento de base desligado ou desativado, interface morta, desconectada da rede, configura, a rigor, precedência exclusiva de um campo local.

Do que se depreende, em termos fenomenológicos, que, se o global mediático pressupõe, necessariamente, o vetor glocal, nem sempre um contexto local equivale, de fato, a um contexto glocal.

A conversão de um em outro, com a conseqüente dissolução de ambos, é dada pela presença efetiva do elemento da rede e/ou pela vivência efetiva (individual, grupal ou coletiva) dela. A diferença – enfatize-se – é o tempo real.

[...] a categoria do glocal otimiza a apreensão da significação social-histórica da hibridação entre ente humano e ente artificial.

O contexto glocal é um fragmento sociocultural rizomático. Por sua concatenação em rede, cada contexto glocal remete à totalidade cultural a que pertence, do mesmo modo e na mesma intensidade com que um fractual se prende ao sistema maior que lhe indexa as formas de manifestação.

Obliteração do tempo e do espaço

Imaginário glocal unidimensional

No contexto glocal interativo, o ente humano, sobretudo se patologicamente depende do imaginário glocal (vale dizer, da comunicação eletrônica como prótese invisível do inconsciente), é convertido em apenso funcional do objeto infotecnológico, justamente quando mais supõe submeter este, como “instrumento” ou “ferramenta”, aos seus caprichos profissionais e/ou lúdicos.

[...] o glocal ciberespacial [...] é vetor de produção de morte simbólica. [...] vocação mortuária [...] o fenômeno glocal significa, por exemplo, morte do território geográfico como superfície de processamento da vida humana e morte da alteridade concreta como referência prioritária da intersubjetividade e como destino da relação social (não tecnologicamente mediada).

[...] perderam a aura [...] * Noção cara a Benjamin (1978)

Glocalização

Global + Local = Glocalização

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Civilização Glocal que surge com a TV, internet, rádio, telégrafo.

- Glocalização fractalizada:
Todos podem emitir e receber. Todos possuem a parte e o todo: um computador (a parte) possui a rede (o todo).

- O Capitalismo rizomático:
Uma coisa puxa outra que está interligada a outra: assim todos estão ligados a todos, tudo a tudo.

- Distribuição do tempo e do espaço:
Nasce o não-lugar e o tempo real: ao falar com alguém em outro lugar, ambos estão em um não lugar, pois as percepções se transferem dos locais em que estão presencialmente; O tempo é real. Com uma carta o tempo existe, num telefonema não. Com isso estamos nos subjetivando: na internet sou um endereço de email e não o Ser Humano. Separamos o nosso corpo da nossa percepção.

- O bunker Glocal:
Num computador somos seguros. Temos uma segunda vida moldada com nossos desejos e nada pode me acontecer, se estiver ruim, eu saio.

Eugênio Trivinho - Pessimista

Vetores da pós-modernização

1- Fim dos metarrelatos / Utopias
Não tenta-se mais explicar o mundo, acabaram as utopias de tentar melhorar o mundo.

2- Fim dos conceitos universais
Com a fragmentação da sociedade em grupos sociais virtuais agrupados por interesses, perde-se a verdade única. Cada um agora passa a lutar pela sua própria verdade, pela sua ideologia.

3- Embaralhamento das oposições binárias
Como cada um tem a sua verdade, perde-se os valores reais da coisa: não se sabe mais distinguir o real e o virtual, o público do privado, o homem da mulher...

4- Acoplamento entre homem e máquina
Um homem hoje não consegue ser completo sem algumas máquinas: como o óculos, o carro, a cadeira de rodas, o relógio...

5- Pulverização das classes sociais
Antes era Trabalhador X Patrão, Classes A, B e C. Hoje é tudo a mesma coisa: quem emprega trabalha, pobres são ricos e ricos são pobres dependendo do ambiente...

6- Transformação do social ordinário em midiático
O contato físico fica longe, perde o valor. A TV, a internet atrai mais que o presencial. Uma cena clássica é a família unida jantando na sala e vendo TV: o silêncio reina.

7- Aceleração tecnológica
A troca vira um valor. Cada dia existe uma coisa nova e temos que consumi-la. è o trocar, trocar, trocar...

8- Conversão da memória social em tecnológica
No futuro irão consultar na internet alguns costumes existentes hoje. Receitas de bolo não são mais tradições de famílias, mas sim livros, sites...

9- Espetacularização da política
O meio político vira um espetáculo, um show para o público assistir e não participar.

10- Auto-referencialidade, hipertelia, legitimação não-discursiva
Cada um como o seu referencial, sem uma finalidade na vida.

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"A pós-modernidade é a fluída forma de cultura levada a cabo pela era do excesso da comunicação" - Tudo isso é uma forma de liberdade.

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Decepção coletiva:

Foi por causa da tecnologia que vivemos vários desastres: nazismo, bomba atômica, crise ambiental...


Ela é o motor autônomo, sem finalidade. É a nova religião: vira a verdade, o novo rumo que temos que seguir.

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Isso porque ocorreu um destronamento do ser:

Antes o homem se julgava ser a coisa mais importante do universo, mas COPÉRNICO descobriu que não éramos o centro do universo e sim o céu. Então éramos o centro da terra. DARWIN vem mostrar que não somos nada além de “macaquinhos que deram certo”. E FREUD vem logo depois pra mostrar que 90% das nossas atitudes vêm do nosso inconsciente. Ficou provado que não éramos o centro nem de nós mesmos!

Já que é assim, vamos nos divertir e consumir. Vamos pular.

O mal-estar da teoria - Ficha...

TRIVINHO, Eugênio. “Comunicação e cultura no pos-guerra”. In: ________. O Mal-estar da teoria. Rio de janeiro; Quartet, 2001, p. 41-62.

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Submetido às regras do mercado, à lógica do lucro e ao gosto medial das multidões, a cultura massificada invadiu, nas ultimas décadas, todos os poros da sociedade tecnológicas contemporâneas - e, não fosse pelo advento da WWW no inicio dos anos 90, estaria articulando-os prioritariamente ate hoje, em particular através da consonância de cada um de seus ramos constitutivos.

Na realidade, a pós-modernidade não é nenhuma coisa, nem outra, exclusivamente. Ela não é propriamente uma época histórica porque nada ha nela de puro que justifique uma demarcação arbitraria especifica, por distinção total a outras épocas históricas. [...] Ela não é somente uma condição cultural. [...] E ela não é apenas uma corrente de pensamento.

Vetores assim se explicitam: o fenômeno pós-moderno está implicado na falência em cadeia dos metarrelatos / teleologias / utopias, aí compreendida a tragédia do progresso tecnológico e a decomposição das burocracias socialistas do leste; no desmoronamento dos conceitos universais (...), com a conseqüente obliteração das essências e constantes histórico-antropológicas (que presidem a busca da verdade ontológica e ultima dos fenômenos); no embaralhamento das oposições binárias claras e distintas (...), com a conseqüente promoção de hibridismo / (con)fusões e de inversões, aqui incluso o destronamento do ente humano pela tecnologia através do acoplamento irreversível entre ele e a maquina; na pulverização das classe sociais em categorias e grupos; na obliteração do social ordinário (com a sua conversão num social mediático), da memória social e cultural (com a sua transformação numa memória tecnológica, exteriorizada) e da historia (com a sua explosão em um miríade de historias promovidas pelos media); na transformação da cena política em espetáculo, com acentuadas tendências à despolitizacao da sociedade civil e à museificacao das zonas urbanas; na neutralização sistemática das negatividades dialéticas (como motores do desdobramento continuo do real); na estetização generalizada dos espaços urbano e privado; na aceleração tecnológica de todos os domínios da existência humana; na militarização velada da vida cotidiana civil através da proliferação social de elementos tecnológicos originários de processos bélicos; na auto-referencialidade e hipertelia (acompanhadas de uma modalidade de legitimação não-discursiva) de fenômenos, processos e tendências; e no excesso de toda e qualquer produção entre outros vetores majoritários de pós-modernização da sociedade.

[...] todos esses vetores estejam ligados, direta ou indiretamente, ao desenvolvimento social do fenômeno comunicacional infoeletrônico. [...] Pode-se mesmo dizer que o fenômeno pós-moderno é um produto típico do poder de irradiação comunicacional.

Entretanto, diversos acontecimentos processados no século XX acabaram por patentear a tendência de destruição e morte implicada no projeto moderno: duas guerras tecnológicas [...], totalitarismo de direita e de esquerda, [...] Hiroshima e Nagasaki, [...] multiplicação de conflitos bélicos [...].

A solidariedade traduziu-se em assistencialismo instrumental, [...] a razão se converteu em princípio de dominação; [...] a técnica e a tecnologia, em objeto de culto diário. [...] A ideologia do progresso tecnocientífico caiu em desgraça.

A lógica da modernidade, tortuosamente sulcada em promessas originais traídas, começa, já em meados dos anos 40, porém mais acentuadamente a partir dos anos 70.

[...] a pós-modernidade, ao contrário da modernidade, não dispor (dispõe - grifo meu) de um projeto político e social. [...] A pós-modernidade, ao contrário, iniciou-se por uma revolução tecnológica direta, isto é, sem mediação discursiva organizada. [...] A pós-modernidade se põe como algo que simplesmente é, como fenômeno que precisa ser porque não pode deixar de se realizar.

A pós-modernidade é uma continuidade radicalmente diferenciada da modernidade, implicando-se, nessa idéia, a questão da ruptura: o fenômeno pós-moderno significa, a um só tempo, proximidade e afastamento, prolongamento e abandono por desdobramento acelerado.

A pós-modernidade é a incrementação, a exponenciação, a radicalização de todos os processos modernos. Trata-se de uma modernidade por excesso, uma "hipermodernidade" de fato.

[...] a publicidade não vende mercadorias, vende-se; o Estado é defectivo, colabora para a desordem; a universidade produz títulos sem valor de troca [...], e assim por diante. É toda uma sociedade cujos subsistemas não cumprem mais a sua premissa fundadora. Tais processos presidem, em grande medida, o mal-estar da época atual.

Humanismo em ruína, ou os vários destronamentos do ser. [...] trauma cultural: o do empequenamento progressivo e irreversível do ser humano. [...] Esse processo de corrosão simbólica - sabe-se - é inaugurado pela revolução copernicana, no século XVI: a Terra não é o centro do Universo, [...] Com efeito, é no cientificismo do século XIX, com a revolução darwiniana demolindo a versão bíblica da origem da vida humana, que o alvo começa, a rigor, a ser melhor assestado: o ser humano é elemento sobrevivente de uma milenar seleção natural das espécies; provém dos primatas. [...] A revolução freudiana [...]: o ser humano não é um todo coeso e unitário, mas um mosaico fragmentário e intrinsecante conflitivo; e ele não é determinado pela razão, mas pelo inconsciente, pelo desejo e pelo trauma.

A revolução existencialista sartreana e heideggeriana, confrontando as metafísicas antropocêntricas tradicionais e modernas, sugere: o ente humano consta jogado ao mundo sozinho, [...] A revolução genética, [...] promulga: o ser humano é, antes de tudo, determinado pelo DNA, código da vida repleto de genes defectivos, responsáveis, entre outras coisas, pelas doenças hereditárias desencadeadas durante o processo de envelhecimento.

[...] fenômeno de longevidade indeterminada: a cibercultura. Consolidada internacionalmente no último quartel do século XX, trata-se de um modelo tecnológico de cultura que se estende e se ramifica de maneira avassaladora.

A cibercultura está implicita em tudo o que de mais socialmente importante vem à luz no mundo contemporâneo, na medida em que todos os objetos, procedimentos e processos doravante predominantes dependem, em alguma medida, da matriz informática da tecnologia. [...] Não por acaso, essa tecnocultura tem aplicado vivamente questões inéditas de direito e de ética.

A cibercultura compreende linguagens estruturadas e estruturantes, sujeitas a mudanças constantes, que estipulam a exigência de um novo aprendizado universal, a ciberalfabetização.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Pierre Levy - Otimista

A cibercultura é vista por ele como uma relação social refletindo aspirações individuais e coletivas. O desejo do computador nasceu com o Hippies dos anos 70; eles queriam computadores para todos, a democratização em rede.

O desejo da informática:

- Interconexão: é possível se comunuicar com o mundo inteiro com um só produto, o computador. Quebra a distância ( que fica igual a zero) e o tempo (que também se anula).
- Comunidades virtuais: as pessoas se organizam em grupos de acordo com seus interesses. Assim cada um pode crescer mais naquele assunto, naquela prática. Ocorre uma troca de experiências para ajudar a viver.
- Inteligência coletiva: Toda o saber está unido. Uma vez na rede é possível acessar todos os assuntos e se integrar deles, compartilhar, completar, formando uma inteligência comum.

Um programa sem conteúdo nem Objetivo:

A informática não possui um programa de conteúdos a ser seguido, é livre. Muito menos possui um objetivo, uma finalidade. É o todo que faz a parte e a parte que faz o todo: o programa se auto regula através das pequenas partes que o frequentam.

PERGUNTAS FREQUENTES:

---- A cibercultura é fonte de exclusão? ----
Sim, mas que tecnologia que não foi assim no início. Até a escrita é uma forma de exclusão para os analfabetos.

---- Ela ameaça a diversidade? ----
Não, pelo contrário, ajuda. Com a cibercultura podemos ter acesso à todas as culturas no mundo. Lógico que é preciso ter uma linguagem em comum para chegarmos à elas. A língua escolhida é o Inglês. Nas ciências também é assim, tem que existir um sistema internacional.

---- Implica Caos e Confusão? ----
Por ser livre, qualquer um pode emitir, se comunicar por meio dela, parece que sim, gera caos. Mas se formos analisar, cada site possui um termo de responsabilidade e quem não cumprir está fora. Cada site possui uma imagem empresarial a zelar, portanto procura evitar erros.

---- Rompe com os ideias modernos? ----
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Cibercultura

- Predominância das máquinas equipadas com chip: não existe sequer um produto que não tenha passado por um processo que envolva produtos tecnológicos.

- Presente mesmo onde não é visivel: um novo estar junto, um novo deslocamento. Podemos estar em dois lugares (ou centenas) ao mesmo tempo, basta nos coligarmos pela internet, tv, rádio. Ocorre um deslocamento das percepções.

UTÓPICOS >>> Pierre Levy
DISTÓPICOS >>> Eugênio Trivinho

Cibercultura - Ficha...

LEVY, Pierre. “O movimento social da cibercultura”. In:____. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 2001, p. 123-134.

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PARTE 1

- [...] Sustentar: A emergência do ciberespaço é fruto de um verdadeiro movimento social, com seu grupo líder (a juventude metropolitana escolarizada), suas palavras de ordem (interconexão, criação de comunidades virtuais, inteligência coletiva) e suas aspirações coerentes.
- Do mais básico ao mais elaborado, três princípios orientam o crescimento inicial do ciberespaço: a interconexão, a criação de comunidades virtuais e a inteligência coletiva.
A interconexão constitui a humanidade em um continuo sem fronteiras [...] tece um universal por contato.
- Uma comunidade virtual é construída sobre as afinidades de interesses, de conhecimentos, sobre projetos mútuos, em um processo de cooperação ou de troca, tudo isso independentemente das proximidades geográficas e das filiações institucionais. [...] as comunidades virtuais exploram novas formas de opinião pública. Sabemos que o destino da opinião pública encontra-se intimamente ligado ao da democracia moderna.
- A cibercultura é a expressão da aspiração de construção de um laço social, que não seria fundado nem sobre links territoriais, nem sobre relações institucionais, nem sobre as relações de poder, mas sobre a reunião entorno de centros de interesses comuns, sobre o jogo, sobre o compartilhamento do saber, sobre a aprendizagem cooperativa, sobre processos abertos de colaboração.
- Cada um dos três aspectos constitui a condição necessária para isto: não há comunidade virtual sem interconexão, não há inteligência coletiva em grande escala sem virtualização ou desterritorialização das comunidades no ciberespaço.

PARTE 2

A cibercultura seria fonte de exclusão?
- Esse risco é real. [...] é preciso observar a tendência de conexão e nos seus números absolutos. [...] os excluídos serão portanto, numericamente, cada vez menos. [...] será cada vez mais fácil e barato conectar-se. [...] qualquer avanço nos sistemas de comunicação acarreta necessariamente alguma exclusão.
- Não basta estar na frente de uma tela, munido de todas as interfaces amigáveis que se possa pensar, para superar uma situação de inferioridade. É preciso antes de mais nada estar em condições de participar ativamente dos processos de inteligência coletiva que representam o principal interesse do ciberespaço.

A diversidade das línguas e das culturas encontra-se ameaçada pelo ciberespaço?
- Um dos principais significados da emergência do ciberespaço é o desenvolvimento de uma alternativa as mídias de massa.
- O fim dos monopólios da expressão publica. Qualquer grupo ou indivíduo pode ter, a partir de agora, os meios técnicos para dirigir-se, a baixo custo, a um imenso público internacional.
- A crescente variedade dos modos de expressão. [...] novas formas de escrever imagens, novas retóricas da interatividade são inventadas.
- A disponibilidade progressiva de instrumentos de filtragem e de navegação no dilúvio informacional.
- O desenvolvimento das comunidades virtuais e dos contatos interpessoais a distancia por afinidade. As pessoas que povoam e nutrem o ciberespaço constituem sua principal riqueza. [...] ora, o ciberespaço permite, cada dia mais facilmente, encontrar pessoas a partir de seus endereços no espaço das competências e dos temas de interesse.

A cibercultura não é sinônimo de caos e confusão?
- O funcionamento da rede depende essencialmente, portanto da responsabilidade dos fornecedores e usuários de informação em um espaço público.
- Finalmente, toda inteligência coletiva no mundo jamais ira pressentir da inteligência pessoal, do esforço individual e do tempo necessário para aprender, pesquisar, avaliar, integrar-se às diversas comunidades, mesmo que virtuais. A rede jamais pensará em seu lugar, e é melhor assim.

A cibercultura encontra-se em ruptura com os valores fundadores da modernidade européia?
- A cibercultura pode ser considerada como herdeira legitima (ainda que longínqua) do projeto progressista dos filósofos do século XVIII. De fato, ela valoriza a participação em comunidades de debate e de argumentação.
- Na era das mídias eletrônicas, a igualdade é realizada enquanto possibilidade para que cada um emita para todos; a liberdade é objetivada por meio de programas de codificação e do acesso transfronteiriço a diversas comunidades virtuais; a fraternidade enfim, transparece na interconexão mundial.
- A cibercultura surge como a solução parcial para os problemas da época anterior, mas constitui em si mesma um imenso campo de problemas e de conflitos para os quais nenhuma perspectiva de solução global já pode ser traçada claramente. [...] Em certo sentido, continua a grande tradição da cultura européia. Em outro, transmuta o conceito de cultura.

Conclusão
- Longe de ser uma subcultura dos fanáticos pela rede, a cibercultura expressa uma mutação fundamental da própria essência da cultura. [...] Da mesma forma, a ciência supostamente exprime o (e vale pelo) progresso intelectual do conjunto dos seres humanos, sem exclusões. Os sábios são os delegados da espécie, e os triunfos do conhecimento exato são os da humanidade em seu conjunto.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Revisão I

CULTURA

- Comportamento aprendido pelo homem em sociedade
- Material e simbólico (espiritual)
- Adaptação ao meio

CAPITALISMO

- Mercantilização de tudo
- Lógica universal: lucro
- Cultura Global

ESPÍRITO DO CAPITALISMO

- Trabalho como vocação
- Lucro como virtude
- "Racionalização capitalista"

INDUSTRIA CULTURAL

- Cultura como mercadoria
- Massificar é infantilizar
- Fim do "Espírito Humano"

ESPECIALIZAÇÃO FLEXÍVEL (Pós-Fordismo)

- Produção em pequena escala
- Fragmentação de tudo
- Exportação do capitalismo
- Fim do acordo fordista
- Valor simbólico: a marca e não o produto
- Trabalho precário: paga menos

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Condição Pós-Moderna - Ficha...

HARVEY, David. “Do fordismo à acumulação flexível”. In: _____. A condição Pós-moderna. São Paulo: Loyola, 2006, p. 135-162.

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(contexto) A falência técnica da cidade de Nova Iorque em 1975.

A mudança tecnológica, a automação, a busca de novas linhas de produto e nichos de mercado, a dispersão geográfica para zonas de controle do trabalho mais fácil, as fusões e medidas para acelerar o tempo de giro de capital passaram ao primeiro plano das estratégias corporativas de sobrevivência em condições gerais de deflação.

A acumulação flexível, como vou chamá-la, é marcada por um confronto direto com a rigidez do fordismo. Ela se apóia na flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e padrões de consumo.

A acumulação flexível parece implicar níveis relativamente altos de desemprego “estrutural”.

[...] relataram um aumento da subcontratação [...] ou do trabalho temporário em tempo parcial.

O rápido crescimento de economias “negras”, “informais” ou “subterrâneas” também tem sido documentada em todo o mundo capitalista avançado.

Mas a aceleração do tempo de giro na produção teria sido inútil sem a redução do tempo de giro no consumo. A meia vida de um produto fordista típico, por exemplo, era de cinco a sete anos, mas a acumulação flexível diminuiu isso em mais da metade em setores.

[...] num mundo altamente competitivo, não são apenas produtos, mas a própria imagem corporativa que tem caráter essencial, não somente em termos de marketing como no tocante a levantar capital, realizar fusões e obter vantagens no campo da produção do conhecimento, das políticas governamentais e da produção de valores culturais.

[...] o individualismo exacerbado se encaixa no quadro geral como condição flexível, embora não suficiente, da transição do fordismo para a acumulação flexível.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Fordismo e Pós-Fordismo

Fordismo >>> Produção em Massa
Pós-Fordismo >>> Produção Flexível

Com o Pós-Fordismo a produção é feita em pequena escala e o que vende é a marca e não o produto (valor simbólico).

Isso gera uma fragmentação da cultura. Os principais vetores são: A INFORMÁTICA e a COMUNICAÇÃO.

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FORDISMO

A década de 70 marca a mudança da modernidade para a pós-modernidade. O fordismo cria o mercado de massa (produtos iguais feitos em grande escala). Nasce um ciclo: produz mais, ganha mais, compra mais, produz mais...

Como encheram a população de mercadoria, os EUA, buscam a exportação. Assim eles impõem seus produtos ao mundo. Exporta-se o capitalismo e não a mercadoria.

Com isso se rompe o acordo fordista: pagavam muito aos trabalhadores para que eles produzissem mais. Vem a informatização e a comunicação para "criar" o pós-fordismo.

PÓS-FORDISMO

"Não queremos vender 1000 vezes o mesmo produto, mas vender o mesmo produto 1000 vezes" (pensamento pós-fordista)

A grande produção acaba e começa a pequena. Surge a ilusão de não ser mais massificado: "meu carro é diferente do dele!", mas ambos tem o produto CARRO. A indústria oferece o produto do jeito que você quer, e faz com que você troque ele com uma determinada frequência. Assim, a TROCA virou um valor. Troca-se de roupa por trocar e não por necessidade.

Na esfera pública surgem os pequenos grupos: tudo se fragmenta. Cada um agora vai lutar pelo seu ideal, e não por um ideal comum da humanidade.

quarta-feira, 19 de março de 2008

A Indústria Cultural - Ficha...

ADORNO, Teodor W.; HORKHEIMER, Max. “A indústria cultural: o esclarecimento como mistificação das massas”. In: _____. Dialética do esclarecimento. Fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985, p. 113-156.

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Na opinião dos sociólogos, a perda do apoio que a religião objetiva fornecia, a dissolução dos últimos resíduos pré-capitalistas, a diferenciação técnica e social e a extrema especialização levaram a um caos cultural.

Por enquanto, a técnica da indústria cultural levou apenas à padronização e à produção em série, sacrificando o que fazia a diferença entre a lógica da obra e do sistema social.

(os consumidores são) Reduzidos a um simples material estatístico.

(Sobre os produtos da IC) Desde o começo do filme já se sabe como ele terminam, quem é recompensado, e, ao escutar a música ligeira, o ouvido treinado é perfeitamente capaz, desde os primeiros compassos, de adivinhar o desenvolvimento do tema e sente-se feliz quando ele tem lugar como previsto.

Quem não se conforma com uma impotência econômica que se prolonga na impotência espiritual do individualista.

[...] a indústria cultural, permanece a indústria da diversão.

A fusão atual da cultura e do entretenimento não se realiza apenas como depravação da cultura, mas igualmente como espiritualização forçada da diversão.

Divertir-se significa estar de acordo. [...] Divertir significa sempre: não ter que pensar nisso, esquecer o sofrimento até mesmo onde ele é mostrado.

Belo é tudo que a câmara produza. À decepção da esperança de ganhar uma viagem em torno do mundo corresponde a exatidão as regiões que se atravessariam durante a viagem. O que se oferece não é a Itália, mas a prova visível de sua existência.

O inimigo que se combate é o inimigo que já está derrotado, o sujeito pensante.

Ninguém tem que se responsabilizar oficialmente pelo que pensa. Em compensação, cada um se vê desde cedo num sistema de igrejas, clubes, associações profissionais e outros relacionamentos, que representam o mais sensível instrumento de controle social.

Eis aí o triunfo da publicidade na indústria cultural, a mimese compulsiva dos consumidores, pela qual se identificam às mercadorias culturais que eles, ao mesmo tempo, decifram muito bem.

terça-feira, 18 de março de 2008

Indústria cultural e Massa

Principais fatores:

1- Cultura como mercadoria
2- Padronização de tudo
3- Produção profissional

Tudo vira produto numa sociedade. O novo é algo arriscado, o velho que trás lucro, não. Os meios nem se preocupam em dizer que são só entretenimento. Esse entreter padronizado infantiliza o ser, causa uma subordinação e dominação crescentes.

Não existe mais produtor e consumidor: ambos são a mesma coisa.

Quem se recusa à padronização fica "marginalizado".

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ADORNO: ele critica a cultura de massa (Indústria Cultural) dizendo que ela é uma anti-cultura, pois cultura requer trabalho e não diversão; e é um privilégio de poucos.

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"Divertir-se é estar de acordo!"

Ocorre uma identificação do sujeito com a Indústria Cultural: ele se vê dentro dela, mas ao mesmo tempo longe. Sonha em participar dela, em virar herói.

quarta-feira, 5 de março de 2008

O Espírito Capitalista - Ficha...

WEBER, Max. “O Espírito do Capital”. In: _____. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 41-69.

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Lembra-te que tempo é dinheiro; [...] Lembra-te que crédito é dinheiro.

“Capitalismo” existiu na China, na Índia, na Babilônia, na Antiguidade e na Idade Média. Mas, como veremos, faltava-lhe precisamente esse ethos peculiar.

[...] já que o apelo ao “senso aquisitivo” pela oferta salário mais alto por tarefa terminou em fracasso, seria muito natural recorrer ao método exatamente inverso: tentar a redução dos salários a fim de obrigar o trabalhador a produzir mais do que antes para manter o mesmo ganho.

VOCAÇÃO PROFISSIONAL

terça-feira, 4 de março de 2008

Capitalismo e sua cultura

Capitalismo é um modo de produção , organização social, cujo único objetivo é a produção de capital.

CULTURA >>> SOCIEDADE >>> CAPITALISMO

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Capital é o dinheiro acumulado. O trabalho morto.

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O capitalismo é um ciclo que envolve PRODUÇÃO, CIRCULAÇÃO e CAPITAL. Antigamente o ciclo não se completava, pois vários produtos não eram mercadorias. Hoje, o capitalismo mercantilizou tudo, tornando o ciclo possível e auto-sustentável. (Um exemplo de mercantilização é a vida e a morte - ou ainda - atos culturais de lazer, como cinema, são vendidos)

O capitalismo não tem finalidade humana. Ele serve a si mesmo. Essa luta pelo lucro, ergueu no homem a vontade do "quero mais". O lucro se torna uma virtude na sociedade capitalista. O sistema possui alguns erros e gera egoísmo, individualismo: todos querem o melhor para si.

Com a especialização do trabalho que o capitalismo criou, a sociedade mudou. Começa a comprar serviços especializados. (Por exemplo: paga uma Baba com o dinheiro do trabalho, mas não deixa o trabalho para cuidar do filho)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O capitalismo histórico - Ficha...

WALLERSTEIN, Immanuel. “A mercantilização de tudo: a produção de capital”. In: ______. O capitalismo histórico. São Paulo: Brasiliense, 1985, p. 9-37.

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O capitalismo é antes e acima de tudo um sistema social histórico.

A palavra capitalismo é derivada de capital. [...] Mas o que é capital? Pode ser interpretado apenas como riqueza acumulada. Mas, quando utilizado no contexto do capitalismo histórico, ele tem uma definição mais específica.

[...] nesse sistema histórico, o capital veio a ser usado (investido) de forma muito específica. Veio a ser usado com o objetivo ou intenção básica de auto-expansão.

O capitalismo histórico incluía, portanto, a mercantilização generalizada dos processos. [...] na corrida para acumular mais e mais capital, buscaram mercantilizar mais e mais os processos sociais em todas as esferas da vida econômica.

É por isso que podemos dizer que o desenvolvimento histórico do capitalismo implicou o impulso para a mercantilização de todas as coisas.

A economia do capitalismo, portanto, tem sido governada pelo propósito racional de maximizar a acumulação.

FORÇA DE TRABALHO

PROLETÁRIOS

TRABALHO PRODUTIVO

TRABALHO NÃO-PRODUTIVO

O que foi novo sob o capitalismo histórico foi a correlação entre divisão e valorização do trabalho.

Cada “inovação” tecnológica importante foi, antes de tudo, a criação de novos produtos “escassos”, quer eram portanto altamente lucrativos, e secundariamente processos que reduziam o trabalho.

[...] o capitalismo histórico é um sistema evidentemente absurdo. Acumula-se capital a fim de se acumular mais capital.

Da Natureza à Cultura - Ficha...

__________ - Cultura: um conceito antropológico. Da natureza da cultura.


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“A natureza dos homens é a mesma, são seus hábitos que os mantêm separados” (Confúcio)

HERÓDOTO (484-424 a.C.)

TÁCITO (55-120)

MARCO POLO

PADRE JOSÉ DE ANCHIETA (1534-1597)

MONTAIGNE (1533-1572)

Desde a Antiguidade, foram comuns as tentativas de explicar as diferenças de comportamento entre os homens, a partir das variações dos ambientes físicos.

MARCUS V. POLLIO

IBN KHALDUN

JEAN BODIN

D’HOLBACH


O determinismo biológico:

São velhas e persistentes as teorias que atribuem capacidades específicas inatas a “raças” ou a outros grupos humanos.

Os antropólogos estão totalmente convencidos de que as diferenças genéticas não são determinantes das diferenças culturais.

“não existe correlação significativa entre a distribuição dos caracteres genéticos e a distribuição dos comportamentos culturais. Qualquer criança humana normal pode ser educada em qualquer cultura, se for colocarda desde o início em situação conveniente de aprendizado” (Felix Keesing).

UNESCO

A espécie humana se diferencia anatômica e fisiológicamente através do dimorfismo sexual, mas é falso que as diferenças de comportamento existentes entre pessoas de sexos diferentes sejam determinados biologicamente.

Resumindo, o comportamento dos indivíduos depende de um aprendizado, de um processo que chamamos de endoculturação.


O determinismo geográfico:

O determinismo geográfico considera que as diferenças do ambiente físico condicionam a diversidade cultural.

A partir de 1920, [...] refutaram esse tipo de determinismo e demonstraram que existe uma limitação na influência geográfica sobre os fatores culturais. E mais: que é possível e comum existir uma grande diversidade cultural localizada em um mesmo tipo de ambiente físico.

Tudo isto porque difere dos outros animais por ser o único que possui cultura.


Antecedentes históricos do conceito cultura:

KULTUR x CIVILIZATION

“tomado em seu amplo sentido etnográfico é este todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, artes, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”. (Edward Tylor – 1832-1917)

[...] a mente humana não é mais do que uma caixa vazia por ocasião do nascimento, dotada apenas da capacidade ilimitada de obter conhecimento, através de um processo que hoje chamamos de endoculturação.

“Nenhuma ordem social é baseada em verdades inatas, uma mudança no ambiente resulta numa mudança no comportamento”. (Marvin Harris – 1969)

“[...] o homem é capaz de assegurar a retenção de suas idéias [...], comunicá-las para outros homens e transmiti-las para os seus descendentes como uma herança sempre crescente”. (Jacques Turgot – 1727-1781)

Mais de um século transcorrido desde a definição de Tylor, era de se esperar que existisse hoje um razoável acordo entre os antropólogos a respeito do conceito. [...] Mas, na verdade, as centenas de definições formuladas após Tylor servuram apenas para estabelecer uma confusão do que ampliar os limites do conceito.

Em 1871, Tylor definil cultura como sendo todo o comportamento aprendido, tudo aquilo que independe de uma transmissão genética, como diríamos hoje.

[...] o homem é o único ser possuidor de cultura.

Mais do que preocupado com a diversidade cultural, Tylor a seu modo preocupa-se com a igualdade existente na humanidade. A diversidade é explicada por ele como o resultado da desigualdade de estágios existentes no processo de evolução.

Para entender Tylor, é necessário compreender a época em que viveu e conseqüentemente o seu background intelectual.

Franz Boas (1858-1949) [...] atribuiu à antropologia a execução de duas tarefas: a) a reconstrução da história de povos ou religiões particulares; b) a comparação da vida social de diferentes povos, cujo desenvolvimento segue as mesmas leis.

Não se pode ignorar que o homem, membro proeminente da ordem dos primatas, depende muito de seu equipamento biológico. Para se manter vivo, independentemente do sistema cultural ao qual pertença, ele tem que satisfazer um número determinado de funções vitais, como a alimentação, o sono, a respiração, a atividade sexual etc. Mas, embora estas funções sejam comuns a toda humanidade, a maneira de satisfazê-la varia de uma cultura para outra.

“Não é preciso argumentar para provar que algumas coisas de nossas vidas e constituição provêm da natureza pela hereditariedade, e que outras coisas nos chegam através de outros agentes com os quais a hereditariedade nada tem que ver”. (Kroeber)

Estes dois exemplos de Kroeber mostram que o homem criou o seu próprio processo evolutivo.

Ao adquirir cultura perdeu a propriedade animal, geneticamente determinada, de repetir os atos de seus antepassados, sem a necessidade de copiá-los ou de se submeter a um processo de aprendizado.

O homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado.

10 PONTOS PARA A AMPLIAÇÃO DO CONCEITO CULTURA


Idéia sobre a origem da cultura:

Em outras palavras, [...] o homem adquiriu este processo extra-somático que o diferenciou de todos os animais e lhe deu um lugar privilegiado na vida terrestre.

[...] Richard Leackey e Roger Lewin, o início do desenvolvimento do cérebro humano é uma conseqüência da vida arborícola de seus remotos antepassados.

David Pilbeam refere-se ao bipedismo como uma característica exclusiva dos primatas entre todos os mamíferos.

Kenneth P. Oakley destaca a importância da habilidade manual, possibilitada pela posição erecta, ao proporcionar maiores estímulos ao cérebro, com o conseqüente desenvolvimento da inteligência humana.

Claude Lévi-Strauss, o mais destacado antropólogo francês, considera que a cultura surgiu no momento em que o homem convencionou a primeira regra, a primeira norma. Para Lévi-Strauss, esta seria a proibição do incesto, padrão de comportamento comum a todas as sociedades humanas.

Leslie While, antropólogo norte-americano contemporâneo, considera que a passagem do estado animal para o humano ocorreu quando o cérebro do homem foi capaz de gerar símbolos.

O primata, como ironizou um antropólogo físico, não foi promovido da noite para o dia ao posto de homem. O conhecimento científico atual está convencido de que o salto da natureza para a cultura foi contínuo e incrivelmente lento.


Teorias modernas sobre cultura:

1. Culturas são sistemas (de padrões de comportamento socialmente transmitidos) que servem para adaptar as comunidades humanas aos seus embasamentos biológicos.
2. Mudança cultural é primariamente um processo de adaptação equivalente à seleção natural.
3. A tecnologia, a economia de subsistência e os elementos da organização social diretamente ligada à produção constituem o domínio mais adaptativo da cultura.

[...] só nos resta afirmar mineiramente como Murdok (1932): “Os antropólogos sabem de fato o que é cultura, mas divergem na maneira de exteriorizar este conhecimento”.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Conceito de cultura

A cultura é ADAPTAÇÃO: um sistema (padrões de comportamneto) que servem para adaptar as comunidades humanas aos seus embasamentos biológicos. Nós mudamos a nossa cultura e não o nosso biológico para nos adaptarmos aos diversos ambientes.

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Cutura é a junção de:

KULTUR (alemão) >>> Espiritual

CIVILIZATION (francês) >>> Material


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TYLOR: "Cultura é todo comportamento aprendido pelo homem [ ou que nascem conosco] como membros de uma sociedade". Os animais tem a sua própria cultura, porém alguns aprendem a cultura da sociedade em que vive, como o papagaio que fala.



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Sociedade Industrial >>> Cultura de Massa
Sociedade Pós-Industrial >>> Cibercultura

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Cultura

Não existe um conceito canonico de cultura. Um que a resume bem diz ser a responsável pelo comportamento humano - provoca a ação. A natureza vai contra a cultura. Tudo aprendemos culturalmente, seja o nojo, a maternidade. Somos predominantemente culturais, diferente - e é o que nos difere - dos animais que são instintivos. Pode-se muito bem observar isso no fato de que se uma criança cresce com algum animal, tende a imitá-lo, já um cachorro que cresce com gatos não tende a miar.
A cultura formata o nosso agir, sentir e o pensar!!! Ela seleciona o que podemos desejar, ou seja, ela deseja através de nós. Com ela aprendemos a ser humanos e assim cada um se comporta de acordo com a sua cultura. Não existe nenhum - nenhum - comportamento que seja igual em todos os lugares.

Com isso se questionou de onde vinha essa diversidade: surgiu então o determinismo biológico e geográfico. Ambos podem influenciar, mas nunca determinar a cultura. Hoje, outro fator que interfere na cultura é a idéia marxista de produção. A sociedade gera uma cultura específica, de massa e que com o capitalismo virou uma cibercultura.

Etnocentrismo

Etnocentrismo é julgar os outros partindo da nossa cultura, o que pode ser pejurativo na maioria dos casos. Assim sendo, um jornalista deve sempre analisar algo ou alguém pela sua cultura.

Determinismos

Biológico: comportamento determinado pel corpo

Acreditava-se que por meio da biologia e do corpo as pessoas tinham determinado comportamento. Como justificar um ato ou proibir uma criança por ela ser criança; dizer que os mais inteligentes são os japoneses. Mas o que acontece é uma questão cultural: por causa da cultura a criança é privada de alguns atos, mas nada impede que ela faça; um japones pode até ser mais inteligente, mas isso porque sua cultura é mais estudiosa e não por uma questão de genes.

Geográfico: comportamento determinado pelo meio

A mesma coisa acontecia com as diversas partes do mundo. Pessoas de várias regiões eram nomeadas mais sérias, mais divertidas... como se o meio - frio, calor... - determinasse o comportamento, mas não. O que determina é a cultura do local. Essa sim pode ter sido influênciada pelo ambiente.

TURMA 2J

Esse foi o semestre vivido pela turma 2J de jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie (1º semestre de 2008).

Escolha o curso no menu ao lado e confira todo o conteúdo das aulas, textos lidos, slides... que foi estudado durante o semestre.

Para receber mais informações sobre os conteúdes, envie e-mail para mackjornalistas@gmail.com

Carlos Eduardo Xavier

Minha foto
Atendo pelo nome Carlos Eduardo Xavier. Nasci em Assis (SP) no dia 17/12/1987 e logo me mudei para Cerejeiras (RO), onde passei minha infância, melhor fase da minha vida. Novamente em Assis, termino a escola e o colegial. Vou morar na Itália, onde passo um ano convivendo com pessoas de mais de 100 nacionalidades. Em Loppiano (Firenze - Itália) é que aprendi a viver o que a vida sempre me ensinou. Assis pela terceira vez me recebe, mas por somente seis meses. De lá vou para a capital do estado, onde, agora, faço Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie. MSN... cadu_gen@hotmail.com