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terça-feira, 1 de abril de 2008

Humildade!

• A virtude da temperança, da disciplina e da medida, enquanto vincula esse impulso natural à ordenação da razão, chama-se humildade. A humildade consiste em avaliar-se da maneira que corresponde à realidade.

• Em segundo lugar, a humildade não consiste num comportamento exterior, mas numa atitude interior, nascida da decisão da vontade.

• A definição número um afirma que ao gabar-se de sua humildade, ou de qualquer outra virtude, acaba-se demonstrando que a primeira está ausente.

• É muito comum definir como sinônimo de humildade, a pobreza, ou seja, o homem com deficiência ou ausência de bens materiais os quais não podem promover o conforto de uma vida saudável e tranqüila para ele. Assim, quanto mais miserável for a pessoa, mais ausente de bens materiais, mais humilde ela seria. Essa análise é absolutamente materialista e improcedente, pois se a característica é relacionada ao Espírito, ela não pode ser extremamente materialista.

• Segundo Jankélévitch a humildade talvez seja a mais religiosa das virtudes. Aí entra o conceito de submissão, ao se afirmar que ao imaginar que um Deus nos criou, nos tornamos pouca coisa diante dele.

• A terceira definição concorda com Spinoza ao afirmar que o orgulho é contrário à humildade, pois ele é sinônimo de ignorância.

• Alguns filósofos também apresentam idéias sobre tal virtude...

• Aristóteles apresenta a idéia de que a humildade está entre dois abismos. Quem possui uma grandeza interior, ou seja, em sua alma, ao se afastar dela por excesso, cai na vaidade e tê-la em quantidade inferior, acaba submetendo-se à baixeza.

• De acordo com Kant, humildade não está relacionada à humilhação, pois ninguém deve ser servil ao outro, é indigno humilhar-se. Isso só serve aos orgulhosos e perversos.


• Nietzsche afirma que não deve-se confundir humildade e remorso. A primeira considera que não podemos ser melhores, que estamos satisfeitos com o realizado, enquanto a segunda supõe que tenhamos agido de outro modo contrário ao desejado.

• A simplicidade é um dos poucos dons com o qual nascemos e perdemos. No início, além de despidos, somos pequenos, fracos, carentes e dependentes. Choramos por alimento, calor, carinho e proteção. Precisamos que alguém nos dê banho e locomova. Sem ninguém, simplesmente morreríamos antes de crescer. Depois, precisamos ainda dos outros para aprender a andar, falar e saber o que é certo ou errado.A vida é cheia de lições,nos mostrando diariamente que nada somos ou possuímos. Tudo o que temos podemos perder, e aquele que hoje é rei pode amanhã pedir esmolas.Então, para que orgulho?A dignidade não está nas roupas que vestimos, mas nos atos que somos capazes de ter. Nas maiores dificuldades temos de ser humildes, para recomeçar, e nas grandes vitórias ainda precisamos saber ganhar com simplicidade. Precisamos de humildade para errar e pedir desculpas. Humildade por saber de menos e por saber demais. Para pedir e para receber.

A humildade é, na realidade, tudo o que temos.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Fidelidade!

A fidelidade é a qualidade do ser fiel, sinônimo de lealdade àquilo que lembra, que crê, que ama.

Ao pensarmos na fidelidade de um casal, a fidelidade conjugal, pode-se entrar em conflito. Para uns, por conta da cultura estabelecida, fidelidade é permanecer apenas com uma pessoa, para outros, entretanto, não. Mantendo-me na cultura a que pertencemos (a ocidental), de forma abrangente, há o chamado “casal moderno”, que compartilha de um amor livre, e o casal conservador, no qual o amor dado e recebido é exclusivo.

O exemplo da família polonesa (esta que foi utilizada como base para a peça teatral do grupo), serve de modelo para que entendamos a distinção entre a fidelidade moral e a fidelidade física. Nesse caso, em especial (ou em outros que partam do mesmo princípio), a fidelidade física foi sim “rompida”, mas não a moral. A esposa manteve-se fiel ao marido e filhos, fiel à família e ao casamento, independente de ter dormido com outro homem. A escolha de ficar grávida de outro, que não seu companheiro, não foi feita com o intuito dar-se prazer, e sim de reencontrar sua família. Foi a única decisão plausível a ser tomada.

Como disse Nietzsche, “É possível prometer atos, não sentimentos; pois estes são involuntários (...) ele pode prometer atos que são, em geral, sem dúvida, as conseqüências do amor, do ódio, da fidelidade (...)”.

Há aqueles que têm uma opinião científica quanto ao assunto; um ponto de vista biológico, como Hume e Schopenhauer. Este último citou em “Metafísica do amor” que “antes de mais nada, é preciso considerar que o homem é, por natureza, levado à inconstância no amor, e a mulher à fidelidade (...), é uma conseqüência do objetivo da natureza que está voltado para a preservação e, portanto, para o aumento mais considerável possível da espécie”.

E, se posso dar a minha opinião pessoal a respeito do assunto, faço das palavras de Castiglione as minhas: “As paixões amorosas trazem em si uma grande desculpa para todos os erros; no entanto, julgo, no que me tange, que um cavalheiro de valor que ama deve nisso, como em todas as outras coisas, ser sincero e verdadeiro; e se é verdade que é uma vilania e uma falta abominável cometer uma traição, ainda que no sítio de um inimigo, pensai como deve ser considerada mais grave a falta cometida contra a pessoa que se ama. Quanto a mim, creio que todo o apaixonado nobre não suporta tantas penas, tantas vigilâncias, não se submete a tantos perigos, não provoca tantas lágrimas, e não usa de tantos meios e vias para agradar a sua dama, unicamente para lhe conquistar o corpo, porém muito mais para lhe vencer a rocha do coração, quebrar esses duríssimos diamantes, reaquecer esses frios gelos que em geral ficam alojados nos delicados peitos das mulheres. Acho que esse é o verdadeiro e sólido prazer e a finalidade para a qual tende a intenção de um nobre coração. E, no que me diz respeito, certamente eu gostaria mais, se estivesse apaixonado, de saber com clareza que aquela a quem sirvo me dá amor em troca e me deu o coração, sem nunca ter dela outra satisfação como tirar-lhe gozo e uma abundância de prazeres contra a sua vontade; pois, nesse caso, eu me julgaria dono de um corpo sem alma. É por isso que os que conseguem satisfazer os seus desejos por meio de traições injuriam os outros; e com tudo isso, eles não têm satisfação que se deve desejar no amor, ao possuir o corpo sem a vontade (...)”.

Mas não se deve pensar somente sobre a fidelidade conjugal. Há inúmeros outros casos em que há fidelidade, afinal, é por meio dela que se garante a existência dos valores e das virtudes, e o que garante se a fidelidade é ou não digna de louvor é o objeto a que se é fiel.


Diálogos correspondentes ao teatro

Narrador: Em tempos da Segunda Guerra Mundial, havia uma família polonesa muito feliz. Catacrese era casada com Zeugma, e eles tinham uma linda filha chamada Demiúrgica Potinho. Um dia, os malévolos alemães arrombaram a porta da casinha de sapê da família feliz e seqüestraram Catracrese.
Catracrase é arrastada para fora.
Zeugma (desesperado): Amore mio, ops, meu amor, não te vás!
Demiúrgica Potinho: Mamãe, mamãe...
Narrador: Catacrese foi levada para um campo de concentração.
Catacrese: Ah, como estou triste! E minha família, minha linda e feliz família, deve estar morta agora. (choro)
Narrador: Um dia, quando Catacrese já estava se entregando à morte, soube por terceiros que sua família estava a sua espera. Catacrese novamente quis viver e pensou nas formas de como sair daquele campo de concentração.
Catacrese: Existem três jeitos para eu sair. Uma é morrendo, mas quero sair e correr pelos campos floridos de mãos dadas com Zeugma e Demiúrgica. O segundo jeito é eu pegar uma doença infecto contagiosa, mas eu quero gozar muito a vida. E, por fim, tem como eu sair grávida. Huummm, grávida!
Catacrese avista o primeiro guarda e utiliza toda sua sedução.
Catacrese: Ei... Psiu!
Vernáculo (coloca as mãos no peito como se não acreditasse que fosse com ele): É comigo?
Catacrese: Sim, claro. Tem algum outro guarda bonito por aqui? Qual o seu nome, bonitinho?
Vernáculo: Eu me chamo Vernáculo!
Catacrese: Nossa, que nome bonito!
Narrador: Catacrese deixa seu pudor e vergonha de lado e ataca para a ofensiva.
Catacrese: Meu bom Vernáculo, você poderia me ajudar? Eu estou com um fogo subindo e descendo que está uma loucura, acho que é falta de “vuco-vuco”. Gostaria de saber se você poderia resolver meu probleminha.
Vernáculo: Opa!
Vernáculo e Catacrese dormem juntos.
Narrador: Catacrese fica grávida de Vernáculo e é expulsa do campo de concentração. Assim, ela vai ao encontro de sua família.
Demiúrgica Potinho: Mamãe, mamãe, você voltou! Eu senti tanta saudade, comi feijão todos os dias como uma menininha boazinha.
Zeugma: Catacrese, você está de volta. Com você minha felicidade também voltou!
Catacrese abraçou sua filha e marido.
Catacrese: Como vocês estão lindos...
Narrador: Mais tarde, Catacrese explica ao marido sua angústia no campo de concentração e como fez para sair.
Zeugma: E tem mais! Além de eu lhe perdoar, quero que seu filho se chame Vernáculo, pois este homem é o responsável pela união da nossa família. Catacrese-cara-de-maionese, você não me traiu, você foi fiel a mim e à sua família até mesmo no momento em que você deu as catacradas com o guarda, pois você o fez por nós, pela nossa história, pelo nosso futuro. Eu te amo!
Narrador: E, assim, viveu feliz e para sempre a família polonesa!

segunda-feira, 17 de março de 2008

Compaixão

“A verdadeira compaixão é inerente à nossa natureza fundamental, mas só a exercemos se este potencial que faz parte de nós for utilizado. Compaixão e ódio são duas emoções opostas, contraditórias, antagônicas. Nunca podem ocupar, ao mesmo tempo, o espaço do nosso Espírito, se uma está operante, a outra não pode estar. Assim, quando o ódio nos domina, é impossível sentir compaixão. E uma emoção que não se manifesta de verdade não estará presente nem atuante em nós, sendo simplesmente virtual.” Dalai Lama

A compaixão não é muito bem vista, grande parte das pessoas não gosta de senti-la nem de ser alvo dela; pois compadecer é sofrer com. Como seria a compaixão uma virtude se todo sofrimento é ruim?


No dicionário, seus antônimos são: dureza, frieza, crueldade, indiferença, insensibilidade. Seu quase sinônimo é simpatia, o que diz em grego o mesmo que compaixão diz em latim.

SIMPATIA
• Por que então, em um tempo onde a simpatia é tão valorizada, a compaixão é quase renegada? Sem dúvida porque os sentimentos são preferíveis às virtudes. Mas o que pensar da compaixão que pertence a ambas as ordens? Não seria justamente nesta ambigüidade que ela encontra sua fragilidade e a essência de sua força.

• Simpatia significa a participação efetiva dos sentimentos do outro; simpatizar é sentir com. Resta saber com quem simpatizar, pois participar do ódio de outrem é ser odioso, participar da crueldade de outrem é ser cruel.

• Compaixão é uma das formas de simpatia: compaixão é simpatia na dor ou na tristeza do outro. Mas não existe equivalência nos sofrimentos (como o invejoso que sofre diante da felicidade do outro) que nem por isso deixam de ser sofrimentos e, portanto merecedores de compaixão. O sofrimento é um mal moral, não por ser sempre moralmente condenável, mas por não ser moralmente lastimável. Esta lástima é a forma mínima de compaixão.

Em seu princípio a compaixão é universal e moral (por não se preocupar com a moralidade de seus objetos) e por isso que ela leva a misericórdia. Simpatizar com o prazer do torturador, é compartilhar sua culpa. Mas ter compaixão por seu sofrimento ou por sua loucura é ser inocente do mal que o corrói, e recusar-se ao menos a somar ódio a ódio.

Diversos autores criticam a compaixão, geralmente empregam a palavra piedade para designá-la. A piedade é uma tristeza que sentimos diante da tristeza do outro, o que não o salva desta, que continua, nem justifica aquela, que se acrescenta a esta. O que condena é justamente o fato da piedade aumentar a quantidade de sofrimento do mundo. Para os estóicos, mais vale a ação em vez da paixão, e a generosidade em vez da piedade.

Spinoza

O que nos leva a ajudar nossos semelhantes é a alegria (que é boa), a razão (que é justa), o amor e a generosidade, não a piedade. “Isso basta ao menos aos sábios que vivem sob a condição da razão. Porém, aquele que nem a piedade o impelem a socorrer os outros, chamamos justamente de inumamos, pois não se parecem com um homem.”
A piedade é definida como tristeza, ao passo que a compaixão é definida como amor, isto é antes de mais nada, como alegria. Isso não suprime a tristeza da compaixão, mas muda sua orientação. Pois amor é uma alegria, e, ainda que a tristeza prevalecesse na compaixão, preocupadas com ajudar e não com desprezar.

Rosseau

Afirma que a piedade seja a primeira das virtudes e a única natural. Pois ele acredita que a piedade é um “sentimento natural” por derivar do amor que temos por nós mesmos (por identificação com os outros) e temperar, assim, em todo homem, “o ardor que tem por seu bem-estar com uma repugnância inata a ver seu semelhante sofrer”.

Schopenhauer

Esse pensador é muito mais profundo, ao ver na compaixão o motivo por excelência da moralidade e a origem de seu valor.

Segundo ele a maioria de nossas virtudes só visa à humanidade, e sua grandeza e seu limite. A compaixão ao contrário simpatiza universalmente com tudo o que sofre: se temos deveres para com os animais, é por isso que a compaixão talvez seja a mais universal de nossas virtudes.

O que é pior: dar uma bofetada numa criança ou torturar um gato?

Segundo o autor, o segundo ato é mais grave, o que nos leva a perceber que o gato, mesmo sendo um animal, merece muito mais a nossa compaixão. No exemplo aqui, a dor prevalece sobre a espécie, e a compaixão sobre o humanismo.

“A compaixão é assim, essa virtude singular que nos abre não apenas a toda humanidade, mas também ao conjunto de seres vivos ou, pelo menos dos que sofrem”.

Hannah Arendt

Mostrou que a piedade, como mola da virtude, revelou possuir um potencial de crueldade superior ao da própria crueldade.
Para ela, o que distingue a piedade da compaixão é que a compaixão ao contrário da piedade, ”só pode compreender o particular, mas fica sem conhecimento do geral”; a compaixão é concreta, singular e naturalmente silenciosa. Já a piedade é abstrata, globalizante e loquaz. Daí a violência da piedade, diante da grande doçura da compaixão.

O autor do livro propõe outra distinção: “a piedade nunca, parece-me, nunca existiria sem uma parte de desprezo ou, pelo menos, sem o sentimento, em quem a sente, de sua superioridade... a compaixão não supõe, quanto a seu objeto, nenhum juízo de valor determinado.”

• “Em compensação, parece-me que só temos compaixão pelo que respeitamos”

• “Não há piedade sem uma parte de desprezo; não há compaixão sem respeito”.

BUDISTAS E CRISTÃOS

• A compaixão é a grande virtude do Oriente budista, e já a caridade é a grande virtude, pelo menos em palavras, do Ocidente cristão.

• Se fosse preciso escolher, poderíamos dizer o seguinte: a caridade seria melhor, com certeza, se dela fôssemos capazes; mas a compaixão é mais acessível, assemelha-se a ela (pela doçura) e a ela pode nos levar.

• Ou para dizer de outro modo: a mensagem de Cristo, que é de amor, é mais exaltante; mas a lição de Buda, que é de compaixão, é mais realista.

• “Ama e faz o que queres”, pois – ou compadece-te e faz o que deves.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Coragem!

As formas podem variar, claro, assim como os conteúdos: cada civilização tem seus medos, cada civilização suas coragens. Mas o que não varia, ou quase não varia, é que a coragem, como capacidade de superar o medo, vale mais que a covardia ou a poltronice, que ao medo se entregam.

A virtude não é um espetáculo e não lhe importam os aplausos.

Sobretudo, a coragem pode servir para tudo, para o bem como para o mal.

Coragem egoísta é egoísmo. [...] Coragem desinteressada é heroísmo.

O que estimamos, na coragem, e que culmina no sacrifício de si, seria, pois, em primeiro lugar, o risco aceito ou corrido sem motivação egoísta.

[...] só se torna uma virtude quando a serviço de outrem ou de uma causa geral e generosa. Como traço de caráter, a coragem é, sobretudo, uma fraca sensibilidade ao medo, seja por ele ser pouco sentido, seja por ser bem suportado, ou até com prazer.

Não há virtude que resista mais ao intelectualismo. Quantos ignorantes heróicos? Quantos eruditos covardes?

Foi o que Jankélévitch bem viu: a coragem é um saber, mas uma decisão, não é uma opinião, mas um ato.

Toda razão é universal; toda coragem, singular. Toda razão é anônima; toda coragem, pessoal.

Trata-se sempre de perseverar em seu ser.

Como toda virtude, a coragem só existe no presente. Ter tido coragem não prova que se terá, nem mesmo que se tem.

Ora, o que é necessário para ser corajoso? Basta querê-lo, em outras palavras, sê-lo de fato. Mas não basta esperá-lo, apenas os covardes se contentam com isso.

Todas as virtudes se relacionam, e todas se relacionam com a coragem.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Polidez!

A polidez é a primeira virtude e, quem sabe, a origem de todas. É também a mais pobre, a mais superficial, a mais discutível. [...] virtude de etiqueta.

Se a polidez é um valor, o que não se pode negar, é um valor ambíguo, em si insuficiente – pode encobrir tanto o melhor, como o pior – e, como tal, quase suspeito. [...] O canalha polido poderia facilmente ser cínico, aliás, sem por isso faltar nem com a polidez nem com a maldade.

Porque dizer [...] que ela é a primeira, e talvez a origem de todas? [...] A origem de todas não poderia ser uma (pois, nesse caso, esta mesma suporia uma origem e origem não poderia ser), e talvez seja próprio da essência das virtudes a primeira delas não ser virtuosa.

Por que primeira? Falo segundo a ordem do tempo e para o indivíduo. O recém-nascido não tem moral, nem pode ter. Tampouco o bebê e, por um bom tempo, a criança. O que esta descobre, em compensação, e bem cedo, são as proibições.

Há o que é permitido e o que é proibido, o que se faz e o que não se faz. Bem? Mal?

[...] distinção entre o que é ético e o que é estético só virá mais tarde.

[...] “o homem só torna-se homem pela educação”, reconhece por sinal Kant, “ele é apenas o que a educação faz dele”, e é a disciplina que primeiro “transforma a animalidade em humanidade”.

A moral começa, pois, no ponto mais baixo – pela polidez – [...] Nenhuma virtude é natural; logo é preciso torna-se virtuoso. “As coisas que é preciso ter aprendido para fazê-las”, explicava Aristóteles, “é fazendo que aprendemos”. Como fazê-las, porém, sem as ter aprendido? Há um círculo vicioso aqui, do qual só podemos sair pelo a priori ou pela polidez. [...] “É praticamente as ações justas que nos tornamos justos”, continuava Aristóteles, “praticamente as ações moderadas que nos tornamos moderados e praticando as ações corajosas que nos tornamos corajosos”.

É imitando a virtude que nos tornamos virtuosos: “pelo fato de os homens representarem esses papéis”, escreve Kant, “as virtudes, das quais por muito tempo eles só tomam a aparência concertada, despertam pouco a pouco e incorporaram-se a seu modos”.

A polidez nada mais é do que ginástica de expressão.

A polidez é uma pequena coisa, que prepara grandes coisas.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Pequeno tratado das grandes virtudes

O que é virtude? É uma força que age, ou que pode agir. Assim a virtude de uma planta e de um remédio, que é tratar, de uma faca, que é cortar, ou de um homem, que é querer e agir humanamente. [...] virtude é poder, mas poder específico.

A virtude de um ser é o que constitui seu valor, em outras palavras, sua excelência própria: a boa faca é a que corta bem, o bom remédio é o que cura bem, o bom veneno é o que mata bem...

[...] as virtudes são independentes do uso que delas se faz, como do fim a que visam ou servem. A faca não tem menos virtude na mão do assassino do que na do cozinheiro. [...] a melhor faca será a que melhor corta. [...] uma faca excelente nas mãos de um homem mau não é menos excelente por isso.

Perguntemo-nos qual é a excelência própria do homem. Aristóteles respondia que é o que o distingue dos animais, ou seja, a vida racional. Mas a razão não basta: também é necessário o desejo, a educação.

Toda virtude é, pois, histórica. [...] o poder específico que tem o homem de afirmar sua excelência própria, isto é, sua humanidade.

A virtude ocorre, assim, no cruzamento da hominização (como fato biológico) e da humanização (como exigência cultural); é nossa maneira de ser e de agir humanamente, isto é (já que a humanidade, nesse sentido, é um valor), nossa capacidade de agir bem.

Spinoza: “Por virtude e poder entendo a mesma coisa, isto é, a virtude enquanto se refere ao homem, é a própria essência ou a natureza do homem enquanto ele tem o poder de fazer certas coisas que se podem conhecer apenas pelas leis de sua natureza”;

Virtude, no sentido geral, é poder; no sentido particular, poder humano ou poder de humanidade. [...] sem os quais, como dizia Spinoza, seríamos a justo título qualificado de inumanos.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Virtuoso e Consciência

Virtuoso...

Depois da lenda do anel de Sócrates, aquele poderoso que ao girá-lo no dedo tornava quem o possuia invisível (mais ou menos como no filme O Senhor dos Anéis), veio a pergunta: o homem é virtuoso em quais momentos? Será que desaparecer o deixa menos virtuoso? Não precisamos desse anel nos dias de hoje para contemporaneizarmos essa questão. Quando uma pessoa está sozinha, age ela de acordo com as suas virtudes ou passa a contrariá-las?

Dilema da vida humana...

De uma história real de uma mulher presa em um campo de concentração durante a guerra, nos colocamos diante de um exemplo de dilema da vida humana. Ela estava presa e pensava ter marido e filho assasinado. Um dia, ao saber que viviam ainda e que a procuravam sem descanço, resolver tentar sair dali. As opções eram três: morrendo, pegando uma doença grave ou engravidando. Escolheu a última e teve a ajuda de um guarda. Alguns diriam dos males o menor, mas ela enfrentou um dilema: fazer algo contra seus princípios (adultério) para algo a favor de seus princípios. Para completar, o marido, ao saber, quis logo saber o nome do guarda para poder dá-lo ao seu novo filho em agradecimento por ter a mulher de volta.

Consciência...

O centro da vida moral está na consciência. CONSENTIR é a ação que justifica moralmente o mal de uma pessoa. Uma vingança por exemplo pode ser moralmente errada ou não. Se houver o consentimento, aí é que mora o perigo. Porém isso não nega a negatividade do ato e a falta de controle, digamos assim, para os casos que são feitos inconscientes (como revidar um soco na hora).

Filosofia e Lógica II

Professor:
Jorge Luiz R. Gutierrez

Horário:
Segunda - 13:00h às 14:50h

TURMA 2J

Esse foi o semestre vivido pela turma 2J de jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie (1º semestre de 2008).

Escolha o curso no menu ao lado e confira todo o conteúdo das aulas, textos lidos, slides... que foi estudado durante o semestre.

Para receber mais informações sobre os conteúdes, envie e-mail para mackjornalistas@gmail.com

Carlos Eduardo Xavier

Minha foto
Atendo pelo nome Carlos Eduardo Xavier. Nasci em Assis (SP) no dia 17/12/1987 e logo me mudei para Cerejeiras (RO), onde passei minha infância, melhor fase da minha vida. Novamente em Assis, termino a escola e o colegial. Vou morar na Itália, onde passo um ano convivendo com pessoas de mais de 100 nacionalidades. Em Loppiano (Firenze - Itália) é que aprendi a viver o que a vida sempre me ensinou. Assis pela terceira vez me recebe, mas por somente seis meses. De lá vou para a capital do estado, onde, agora, faço Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie. MSN... cadu_gen@hotmail.com